NOVEMBRO DE 63

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O que você faria se pudesse viajar no tempo? Passearia pela época visitada, matando sua curiosidade? Ou aproveitaria a oportunidade para alterar o passado e, consequentemente, mudar o futuro? Quem, entre nós, não adoraria ter a chance de corrigir um erro cometido ou trazer de volta a pessoa amada? Poderíamos até, por que não, mudar os políticos e fazer do nosso país um lugar justo e melhor para viver. Mas, alterar o passado garantiria um futuro melhor? Haveria consequências para a própria existência? Não há como prever.

 

Jake Epping é um professor de inglês na cidade de Lisbon Falls, no Maine, que viverá essa experiência. Certo dia, corrigindo redações no final do ano letivo, ele lê a do faxineiro da escola, também seu aluno, que escreveu sobre o dia em que o pai matou a família a marteladas e o deixou deficiente. Foi em 1958. Enquanto se refaz do choque, Jake recebe um telefonema de Al, o dono da sua lanchonete predileta. Com voz ruim e ansiosa, ele pede ao professor que o encontre com urgência.

 

Ao chegar na lanchonete, Jake leva um susto ao ver que o amigo está muito doente. Na noite anterior, não estava. Al lhe diz que tem câncer e pouco tempo de vida e que, por isso, precisa da sua ajuda para realizar uma missão muito importante, em 1963. Mas… Como, se estamos em 2011? Então, Al o leva até a dispensa e o convence a entrar nela. Com muita relutância, o professor obedece. Espantado, começa a descer degraus invisíveis e sai na mesma cidade. Só que em 1958.

 

Viagens no tempo não são novidade em livros e filmes. Ao contrário, vêm de longe e tem enredos absurdos. “Novembro de 63”, de Stephen King, é uma exceção. Transporta o personagem e o leitor para 1958 numa viagem tão plausível que poderia ser explicada pela ciência. Lá, Jake viverá uma história densa cheia de perigos, mistérios e incertezas, pois não se limitará apenas à missão que lhe foi confiada pelo amigo doente. Mas, alterar o passado pode trazer consequências imprevisíveis. Valerá a pena?

 

Stephen King, conhecido mestre do suspense, mais uma vez brinda o leitor com uma obra genial. Com sua linguagem simples e cativante, ele usa a viagem no tempo como pano de fundo para reviver a Guerra Fria entre os Estados Unidos e a extinta União Soviética (hoje Rússia), a paranoia americana anticomunista e o fanatismo que levou ao assassinato do presidente americano John Kennedy. E, com sua capacidade de prender o leitor a cada página, nos mostra a década de 1960 com seus carrões, suas músicas e seus costumes.

 

Vale destacar a qualidade da edição brasileira, de propriedade da editora Suma de Letras. Sua capa é uma réplica de uma edição antiga do Daily News, um jornal americano, que dá ao livro uma beleza ímpar e nos instiga a explorar o seu conteúdo. “Novembro de 63” é, enfim, uma história perfeita. Tão fantástica, que “devoramos” o livro sem perceber suas mais de 700 páginas. Não li todos os livros de Stephen King, mas dentre os que li, este é sem dúvida o melhor.

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