O HOMEM QUE AMAVA OS CACHORROS

OHQAOC

Ontem terminei de ler uma história arrebatadora que fala de sonhos e de fé, de radicalismo e de subversão, de manipulação e de poder, e de ódio… Muito ódio. Mas de amor também.

“O Homem Que Amava Os Cachorros”, de Leonardo Padura, conta a história real de Leon Trotsky, revolucionário russo que junto a Lenin, em 1917, derrubou o império czarista e fundou a União Soviética; e de Ramon Mercader, espanhol catalão de classe média alta que, influenciado pela própria mãe, lutou na Guerra Civil Espanhola contra o fascismo de Franco, tornando-se um ferrenho defensor do socialismo – o que lhe valeu o grande interesse do governo russo.

Trotsky e Mercader compartilhavam o mesmo ideal socialista mas não se conheciam e nem sabiam da existência um do outro, até que Joseph Stalin, um ser obscuro e sedento de poder, assumiu o domínio da recém-criada União Soviética. Por discordar de Trotsky e por temer sua influência, Stalin o expulsou do país, ao mesmo tempo em que lançou mão de uma poderosa propraganda política acusando-o de traidor do proletariado mundial.

Graças à massificação da propaganda anti-trotskysta, Ramon Mercader passou não só a odiá-lo, mas também a todos os que o seguiam – os trotskystas. Aproveitando-se dessas duas “qualidades” de Ramon – fidelidade às ideias de Stalin e ódio à traição de Trotsky -, o governo de Moscou o incumbiu de entrar para a História: cumprir a sublime missão de matar o traidor do socialismo.

A partir desta incumbência, Mercader começou um paciente e minucioso treinamento para executar com a máxima perfeição – sem que a culpa caísse sobre a União Soviética de Stalin – o crime que o tornaria um herói nacional. Enquanto isso, Leon Trotsky conseguia uma autorização para se exilar no México, sua última morada. Lá ele fez amigos, cuidou de coelhos, escreveu artigos, concluiu livros, foi enganado e… covardemente assassinado.

No meio dessa história real, Leonardo Padura insere Iván, um personagem cubano fictício que numa tarde da década de 1990 está em uma praia, lendo um livro. De repente, ele vê chegar um senhor acompanhado de dois belíssimos cachorros. Interessado neles, cumprimenta seu dono e inicia uma conversa. Iván acabaria por apelidá-lo de “O homem que amava os cachorros”. Os encontros, antes casuais e espaçados, tornaram-se combinados e frequentes. Até que em um deles, o misterioso homem começou a contar para Iván uma história de sonhos e de ódio, de um crime, e de decepção.

Leonardo Padura é um escritor cubano de fama internacional. Seu romance “O Homem que Amava Os Cachorros” foi traduzido em diversos idiomas e ganhou prêmios internacionais. Mesmo sabendo que Trotsky será assassinado por Mercader (afinal, trata-se de uma história real provocada pelo sonho da utopia comunista falecida em 1989), o leitor se prende a cada página do livro, graças à maneira como ele foi escrito: um suspense de tirar o fôlego, um thriller psicológico que envolve também o fictício personagem cubano Iván Cárdenas Maturell.

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